Quarta, 20 de Agosto de 2008
Iso Jorge
Médico, graduado pela Faculdade de Medicina da UFF, especialista em Psiquiatria. Prof. de Psicopatologia e Psiquiatria da FCM da UERJ desde 1976. Livre-docente de Psicopatologia e Psiquiatria e Prof.-Adjunto da FCM – UERJ desde 1989. Coordenador do Curso de Especialização em Psiquiatria - FCM-UERJ há mais de 10 anos. Colaborador de vários veículos de divulgação e colunista do VoteBrasil desde 01/2006
05/05/2008 - 23h05
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Começam a se definir os pré-candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições 2008. Curiosamente, mesmo aqueles com melhor índice de intenção de voto acumularam, também, um expressivo percentual de rejeição...
Em pesquisa de intenção de voto para a prefeitura do Rio de Janeiro, o senador Marcelo Crivella (PRB) aparece com 26,6% na preferência do eleitorado carioca, e a secretária de Desenvolvimento de Niterói Jandira Feghali (PCdoB), aparece em segundo lugar com 15,5%; Fernando Gabeira (PV) surge com 11%; Solange Amaral (DEM), 5,2%; Chico Alencar (PSol), 4,8%; Coronel Marcos Silva (PR), 3,4%; Alessandro Molon (PT), 2,8%; Paulo Ramos (PDT), 1,5%; e Filipe Rio de Cara Nova (PSC), 0,5%.
A margem de erro é de três pontos percentuais. A pesquisa é do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) e foi protocolada no TRE-RJ sob o nº 008/2008 em 18 de abril de 2008.
Crivella também lidera em outra simulação, incluídos o deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB) e o deputado estadual Coronel Jairo. O senador aparece com 24,9%, seguido por Jandira Feghali, com 15,1%; Fernando Gabeira, com 9,2%; Chico Alencar, com 6,3%; Solange Amaral, com 6%; Coronel Marcos Silva, com 3,3%, Alessandro Molon, com 2,7%; Paulo Ramos, com 1,8%; Coronel Jairo, 1,7%; Marcelo Itagiba, com 0,9%.
O senador é o pré-candidato mais rejeitado pelo eleitor. Crivella tem 15,2% e, em segundo lugar, 11,6% dos eleitores rejeitaram todos. Depois vem: Fernando Gabeira (7,6%), Solange Amaral (5,2%), Jandira Feghali (3,6%), Coronel bombeiro Marcos Silva (1,9%), Alessandro Molon (1,4%), Chico Alencar (1,4%), Paulo Ramos (1,1%), Marcelo Itagiba (1,1%), Coronel Jairo (0,8%) e Filipe (0,5).
Ao que parece, o eleitor carioca irá votar, novamente, na ‘pessoa’ do candidato, independentemente do seu projeto político e administrativo; porque nenhum dos pré-candidatos, com alguma chance de vencer as eleições, possui projeto político consistente e, o que é pior: falta experiência administrativa mais ampla a todos eles... Seria esta a razão do índice de rejeição de 11,6% a todos?!...
Quase todos os pré-candidatos possuem experiência no Legislativo, mas sem muito destaque... Assim, o pré-candidato Crivella (PRB/PR/PSDC), por mais que tente, não consegue desvincular seu nome da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e, por isso mesmo, lidera atualmente as pesquisas, com a intenção de votos dos chamados ‘evangélicos’.
A pré-candidata Feghali (PCdoB/PTN), apesar de conhecida na mídia, dita militante de esquerda, em suas sucessivas reeleições para o parlamento, ao longo de 20 anos (até 2006) é pouco lembrada quanto a um projeto importante, especialmente no campo da saúde (ela é médica), a não ser sua polêmica proposta em defesa do aborto...
O pré-candidato Gabeira (PV/PSDB/PPS) foi o único que esboçou uma proposta político-administrativa (publicada em O GLOBO deste domingo, dos principais pré-candidatos). À pergunta de O GLOBO: Por que quer ser prefeito? Respondeu: “- Porque me sinto responsável para contribuir para que a cidade encontre sua vocação econômica, atenue seus problemas sociais e reduza os níveis de violência.” Além disso, seu trabalho no parlamento vinha demonstrando a sua crescente maturidade política, mas é muito pouco o que propõe. Foi o único a confessar “não ter administrado ainda”.
A pré-candidata Amaral (DEM) tem alguma experiência administrativa, como secretária de Habitação do prefeito Maia, mas no campo legislativo tem pouco trabalho de vulto – vive uma vida política à sombra do prefeito e, o que é maior problema para ela: não consegue o mínimo de ‘carisma’ (lembra muito a deputada Sandra Cavalcante, ao tempo de Carlos Lacerda) e procura deslocar a sua imagem ligada ao seu padrinho político (que, aliás, também nunca teve um projeto político consistente. Foi um ótimo administrador da cidade, hoje está desgastado e solitário).
O pré-candidato Alencar (PSol/PSTU) seria o que teria proposta política mais consistente: pertenceu ao PT, decepcionou-se com o escândalo do mensalão e, então, co-participou da fundação do PSol; no entanto, respondeu, pifiamente, àquela pergunta de O GLOBO: ’- Sou candidato de uma causa que não é absolutamente um projeto pessoal. É uma candidatura a serviço da esperança.”
Já o candidato MOLON (PT/PMDB e, talvez, PP) parece-nos o mais despreparado para o cargo que almeja. Seus únicos trunfos seriam os apoios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Sérgio Cabral; embora acreditemos que seja duvidoso o apoio do presidente Lula ao PT (pois está dividido com o apoio ao senador Crivella). É o mais jovem candidato e a aliança do PT com o PMDB - dividido no Rio - indica o fisiologismo de sua candidatura (nenhuma consistência política) e, portanto, um péssimo exemplo para os jovens cariocas.
Enfim, se continuar esse correr da carruagem, o carioca chorará lágrimas de esguicho ao eleger o seu prefeito... Fala-se em fim da era César Maia, depois de oito anos consecutivos no governo, sem contarmos os quatro anos do período de 93 a 97. Agora, desgastado, o prefeito não tem propostas nem candidato de peso para eleger o seu sucessor – até a sua ‘afilhada’ Solange Amaral (DEM) rejeita a ‘continuidade’ da governo Maia, dizendo querer ser “a prefeita pós-César Maia’!
É uma lástima a situação política do Rio! Será uma campanha, virtualmente, sem candidato do governo, isto é, sem interlocução com o prefeito e os opositores dão indício de ‘bater’ no governo, o que seria o mesmo que ‘bater em cachorro morto’.
Vamos ver se no calor da campanha surge um candidato com o mínimo de consistência política. Até o momento os únicos capazes para assumir este papel são os candidatos do Psol e do PV, mas são grandes os índices de rejeição a esses candidatos.
Somos otimista, acreditando que o sol (não confundir com propaganda do Psol) surja no Rio, consentâneo com a história de nosso ‘clima’; por enquanto, o tempo está nebuloso na Cidade Maravilhosa.
Iso Jorge Teixeira
Fontes: O GLOBO – domingo, 4/05/08. O PAÍS. Rio terá mais de dez candidatos, e todos querem distância de Cesar, p. 4
Os pré-candidatos a prefeito do Rio – p. 8
ODIAON LINE - segunda-feira, 28/04/08 – 21h41. IBPS: Crivella lidera disputa pela prefeitura do Rio
A matéria acima é de exclusiva responsabilidade do autor.
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