Sexta, 21 de Novembro de 2008
18/08/2008 - 08h23
Fonte: G1
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Duas equipes do Corpo de Bombeiros ainda trabalhavam no início da manhã desta segunda-feira (18) no rescaldo do incêndio que atingiu o Teatro Cultura Artística na madrugada de domingo (17).
Para prevenir o aparecimento de novos focos de incêndio, eles reviram materiais espalhados por toda a área atingida. Não há previsão para o término dos trabalhos.
Prejuízo
Os responsáveis pelo teatro só poderão calcular o prejuízo provocado pelas chamas após o trabalho da perícia. Também não há informações sobre o motivo do incêndio, que será investigado pela Polícia Civil.
De acordo com Eric Klug, responsável pelo departamento de relações institucionais da Sociedade Cultura Artística, até o fim da tarde de domingo, apenas alguns documentos tinham sido recuperados. Segundo ele, apenas uma pessoa da administração teve acesso por aproximadamente dois minutos ao local. “A perícia não foi feita, não podemos avaliar o que sobrou. Parece que a parte administrativa não foi muito atingida”, disse. “A visão que as pessoas têm da rua é muito enganosa, a parte interna foi toda [destruída]. É muito preliminar para fazer uma avaliação real.”
Em uma base montada no hotel na região, os responsáveis pelo teatro têm agora como prioridade ajudar as peças que estavam em cartaz no local a encontrar novos espaços e localizar novas salas de concerto para os próximos espetáculos. Apresentações que estavam agendadas para segunda e terça-feira foram transferidas para outros endereços.
A entidade, fundada em 1912, tem aproximadamente 2 mil assinantes. São espectadores que pagam anuidades que variam entre R$ 1,5 mil e R$ 700 para ter o direito de acompanhar toda a temporada de concertos.
“O Brasil perde uma das grandes salas de concerto que ela tinha e toda uma história”, avalia Klug. “Não sabemos se vamos reerguer o teatro lá, se vamos construir outro, mas vamos manter nosso compromisso com os assinantes e com a instituição que tem 96 anos”, disse.
Seguro
Segundo Klug, todo o prédio e o mobiliário interno estavam segurados. Entretanto, o valor da apólice não foi divulgado. Entre os itens consumidos pelas chamas estão dois pianos importados do fabricante Steinway & Sons. “Um deles foi adquirido há poucos meses. Lamentamos não só porque é muito caro, mas porque demora muito tempo entre encomendá-lo e receber.”
Sem risco de desabamento
De acordo com a prefeitura, o teatro construído entre 1947-50 foi projetado pelo arquiteto paulista Rino Levi (1901-1965), é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual. A prefeitura afirmou que tem interesse em formar um grupo para arrecadar fundos públicos e privados para a recuperação do espaço.
Segundo a Defesa Civil, cerca de 300 mil litros de água foram usados para combater o incêndio que consumiu 5 mil metros quadrados do espaço. As chamas começaram por volta das 5h30. "O que sobrou foi somente a fachada do prédio", diz o agente da Defesa Civil Municipal Luís do Nascimento Pereira.
A Defesa Civil avaliou as condições estruturais do prédio. "O local foi preservado para a perícia técnica. Provavelmente será feita a interdição total do prédio", diz. Apesar disso, em uma avaliação preliminar, não foi apontado risco de desabamento do painel de azulejos de Di Cavalcanti que está na parede frontal da construção. "A fachada aparentemente está segura", diz o agente.
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