Sexta, 29 de Agosto de 2008
09/05/2008 - 14h46
Fonte: Folha Online - Brasília
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O relator da CPI dos Cartões Corporativos, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), atribuiu nesta sexta-feira ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR) a responsabilidade pela montagem do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos. Apesar do laudo do ITI (Instituto de Tecnologia da Informação) ter apontado que o dossiê saiu pronto da Casa Civil, Sérgio disse à Folha Online que Dias pode ter manipulado informações do banco de dados do órgão para divulgar o dossiê.
"Um fato que seria muito esclarecedor seria saber se o André Fernandes [assessor de Álvaro Dias], ao receber o material, manipulou esses dados ou não. Se ele manipulou dados do Suprim [controle de suprimento de fundos da Presidência da República], isso é muito grave", afirmou Sérgio.
O relator disse que precisa esclarecer se Álvaro Dias divulgou para a imprensa o material recebido da Casa Civil ou se manuseou os dados de acordo com o seu próprio interesse. "O senador Dias, ao repassar as informações para a imprensa, passou o que efetivamente recebeu ou manipulou os dados? São perguntas que estão sem resposta", disse o relator.
Reportagem da Folha aponta Aparecido como responsável pelo vazamento do dossiê depois que o ITI e a Polícia Federal flagraram uma troca de e-mails entre o secretário da Casa Civil e o assessor de Dias.
O governo nega que tenha produzido qualquer dossiê, mas confirma que montou um banco de dados com base em informações do Suprim com gastos da gestão FHC. O objetivo do banco de dados, na versão governista, seria apenas de organizar informações relacionadas ao governo anterior.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ironizou a ilação do relator ao reafirmar que a responsabilidade pela montagem do dossiê é exclusiva da Casa Civil. O tucano disse que Dias não teve qualquer envolvimento no episódio uma vez que apenas recebeu um material montado no Palácio do Planalto.
"O dossiê existe, ao contrário do que a ministra Dilma Rousseff [Casa Civil] jura de pé junto. O dossiê foi feito na Casa Civil, as coisas estão muito próximas da ministra. Tudo o que eu quero é que o Aparecido diga o que saiba e desapareça. Eu não vejo envolvimento nenhum do senador Álvaro, ele apenas recebeu o material como poderia ter chegado a mim", afirmou.
Na opinião do tucano, o secretário apontado como responsável pelo vazamento é apenas a "ponta do iceberg" em um esquema político que teve como objetivo prejudicar o ex-presidente FHC.
Fogo amigo
Ao contrário de outros parlamentares da oposição, Virgílio disse não acreditar no "fogo amigo" dentro do governo com o objetivo de prejudicar Dilma --já lançada como pré-candidata à sucessão do presidente Lula.
Apesar de Aparecido ser ligado a Dirceu, o tucano credita a responsabilidade pela montagem do dossiê à secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que é braço-direito da ministra.
"Eu não espero coisa boa do José Dirceu. Se minha filha me dissesse que ele seria meu genro, eu ia me suicidar. O vazamento até pode ter sido fruto de fogo amigo, mas não a sua montagem determinada pelo braço direito da ministra que é a Erenice", avaliou.
GABRIELA GUERREIRO
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