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09/05/2008 - 10h57

Fonte: Estado de Minas

Reação dos petistas descontentes

Petistas que não se conformam com a aliança com os tucanos partem para o contra-ataque. Vão a Brasília entregar à direção do partido um documento expondo a insatisfação com a parceria

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Os petistas contrários à aliança do partido com o PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte resolveram contra-atacar para evitar que o acordo com os tucanos saia do papel. Reunidos na última quinta-feira na Assembléia Legislativa, integrantes da legenda decidiram que vão a Brasília na segunda-feira conversar com o vice-presidente José Alencar (PRB) e na terça-feira com o presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP). Esses encontros contam com o aval dos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), que, apesar de serem contrários ao acordo, estavam distantes do processo. Os dois vão participar amanhã da inauguração da galeria dos ex-presidentes dos partidos em Minas Gerais. Desde que o clima entre os petistas se acirrou por causa do embate envolvendo a sucessão, os dois ministros evitaram participar de todos os encontros marcados pelo partido.

A ida é uma resposta às articulações do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que na terça à noite se reuniu em Brasília com a cúpula da legenda para tentar reverter o veto da direção nacional à aliança com o PSDB, que terá como candidato a prefeito o secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda, filiado ao PSB desde setembro. No encontro, o prefeito teria desistido da ameaça de acionar a Justiça caso o veto fosse mantido e garantido que irá acatar a decisão final que será tomada pela direção do partido até 30 de maio. Todo esse recuo faz parte de uma estratégia do grupo ligado a Pimentel para abrandar as discussões e convencer o PT nacional a aceitar a aliança.

Os contrários a essa aliança vão entregar à direção do partido um documento expondo a insatisfação que uma possível aliança com o PSDB tem causado em todo o estado, principalmente no interior. A proposta dessa comissão é começar do zero a discussão sobre a sucessão na capital mineira. Para isso, eles pretendem conquistar o apoio de Alencar para uma composição que envolva o PRB e o PCdoB, partidos que já fecharam uma aliança para a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Na avaliação do delegado do Ministério de Desenvolvimento Agrário em Minas Gerais, Rogério Correia, as chances de a direção nacional rever sua posição em relação ao veto são pequenas. Segundo ele, 39 dos 84 integrantes do diretório já fecharam questão contra o acordo. “E dentro do restante há muita insatisfação com essa aliança.”

O deputado estadual André Quintão (PT) também não acredita que o veto vai ser revertido. “A não ser que haja uma mexida substancial nessa chapa”. Segundo ele, a comissão quer discutir com a direção nacional a unidade do partido e a incorporação das lideranças petistas e dos partidos da base aliada, alijados das discussão sobre a sucessão na capital mineira. “A intenção é reiniciar as discussões sobre a sucessão, incluindo nessas conversas todo o PT e os partidos aliados.” “Houve um avanço pelo entendimento a partir da ida do prefeito a Brasília.”

Alessandra Mello

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