Quinta, 20 de Novembro de 2008
20/07/2008 - 18h15
Fonte: Estadão
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Colômbia - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou neste domingo, 20, com seus colegas Álvaro Uribe, da Colômbia, e Alan Garcia, do Peru, um acordo de defesa para combater tráfico de drogas, contrabando e outras atividades ilícitas nas regiões de fronteira entre os três Países. O acordo inclui desde o patrulhamento dos rios até ações militares conjuntas e troca de informações de inteligência.
Um dos artigos do acordo, no entanto, deixa claro que um País não entrará no território do outro para agir sozinho. Um artigo comum em acordos militares, mas mais significativo frente à última crise sul-americana, em que o Exército colombiano entrou no território do Equador para matar terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
No texto assinado, não há nada explícito sobre o combate ao terrorismo mas, de acordo com a visão do País, atos violentos desse tipo poderão ser classificados na definição "atos ilícitos". "É um acordo para combater o tráfico de drogas, o contrabando e outras atividades ilícitas", explicou o presidente do Peru. Ao ser perguntado se podia ser estendido para o combate ao terrorismo, já que parte das ações das Farc se dariam na região amazônica, Alan Garcia desconversou: "Vamos avançando, vamos avançando".
O acordo prevê intercâmbio de treinamento entre as forças e também a troca de informações de inteligência, além de operações simultâneas e coordenadas nas fronteiras. Um dos principais pontos será o patrulhamento dos rios da região de fronteira pelos três Países, com embarcações próprias para esse fim. Hoje, o patrulhamento é difícil e sobreposto pelos três países.
O acordo amplia a ação conjunta de defesa do Brasil com os demais países da América do Sul, um desejo do presidente Lula expressado já na tentativa de formar o Conselho Sul-americano de Defesa. No dia anterior, em Bogotá, Lula já havia obtido uma vitória: Uribe finalmente anunciou a decisão de participar do Conselho, depois de ouvir do presidente que suas gestões - a principal a necessidade de que o Conselho condenasse grupos violentos de qualquer origem - seria incluída no estatuto.
Compromisso pela Paz
Sob um sol de mais de 30 graus, em meio à floresta amazônica, o presidente Lula da Silva entrou na corrente em defesa da liberdade dos reféns ainda em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ao lado de Uribe e Garcia, Lula molhou as mãos na tinta para imprimi-las em um monumento "Compromisso pela Paz" e citou o hino da República para uma multidão que se acotovelava no estádio da cidade de Letícia, na fronteira com o Brasil.
"Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós", citou Lula, atribuindo a frase ao "poeta" brasileiro, sem citar nominalmente o autor da letra do Hino à Proclamação da República, Medeiros Albuquerque . "Liberdade para todos", discursou na cerimônia que antecedeu a um show da cantora colombiana Shakira, parte das comemorações do dia nacional da Colômbia que se transformam em atos em todo País pedindo o fim das Farc.
O presidente brasileiro foi convidado em maio por Uribe a fazer parte das comemorações. Apesar de até hoje o governo brasileiro não ter oficialmente classificado as Farc como organização terrorista, nos dois dias que passou na Colômbia Lula deixou claro que sua posição é contrária aos guerrilheiros. "As pessoas têm que começar a compreender que a forma mais fácil de se chegar à Presidência é disputar uma eleição", disse o presidente no dia anterior, ainda em Bogotá, ao ser perguntado sobre as Farc.
O encontro dos três presidentes em Letícia - que faz fronteira com o Peru e com a brasileira Tabatinga - transformou-se quase em um passeio de amigos. Depois de assistirem a um desfile militar modesto, mas com a participação de representantes das forças dos três Países, Lula, Uribe e Garcia tiveram um encontro para assinar um acordo tripartite de defesa. Logo depois, o passeio dos presidentes se transformou em um pesadelo para sua equipe de segurança.
Seguido por jornalistas e populares, os três presidentes andaram por cerca de três quadras para colocar suas mãos em um painel que ficará em Letícia como um monumento para Paz. Cercado por centenas de pessoas, Lula sujou suas mãos de amarelo e azul e imprimiu no painel. Ao ver as quatro bandejas de tinta - além de azul e amarelo, verde e vermelho - brincou: "Puxa, mas são quatro cores, eu só tenho duas mãos e ainda falta um dedo!"
Ao sair da praça, os três presidentes entraram em um carro dirigido pelo próprio Uribe, que decidiu levar os colegas para ver um porto que está sendo construído no rio Solimões e deverá facilitar o transporte aquaviário. O desvio, no entanto, não estava previsto e confundiu a segurança.
Os três terminaram no estádio - para onde Lula também, a princípio, não queria ir. Uribe pediu aos dois colegas que discursassem, da onde o presidente brasileiro tirou o hino da República. Garcia também pediu pela paz, mas foi rápido.
Coube a cantora Shakira fazer o apelo que Uribe mais gostaria de ouvir: "Se libertem do seu próprio seqüestro, que vocês também estão seqüestrados. Abandonem o caminho da violência", disse a cantora, hoje a maior celebridade colombiana.
Lisandra Paraguassú
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