Quarta, 20 de Agosto de 2008
30/06/2008 - 14h36
Fonte: Efe
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A 11ª Assembléia da União Africana (UA) começou nesta segunda-feira (30), no Egito, com a chamada do presidente da Comissão do grupo, Jean Ping, a "assumir entre todos responsabilidades sobre a crise política no Zimbábue."
"Devemos fazer tudo o possível para ajudar o Zimbábue e vencer os desafios que isso representa", disse Ping, durante o discurso de inauguração da cúpula, realizado na região litorânea de Sharm el-Sheikh.
Enquanto Ping falava, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, entrou na sala com grande discrição e, sem cumprimentar ninguém, se dirigiu ao assento reservado para ele.
O presidente da UA fez uma chamada aos líderes políticos reunidos em Sharm el-Sheikh para que lancem seus esforços para uma solução duradoura do conflito no Zimbábue
Além disso, Ping comparou a crise política desse país africano com a ocorrida há alguns meses no Quênia, e disse que a região deve mostrar que é capaz de "empreender uma cultura democrática".
Mugabe, de 84 anos, assumiu o poder neste domingo (29) como presidente após as controvertidas eleições da sexta-feira passada, às quais concorreu como único candidato, após a retirada de seu adversário, o opositor Morgan Tsvangirai. Este é seu sexto mandato no Zimbábue, completando mais de 20 anos no poder.
Ele espera obter apoio dos países vizinhos, já que muitos dos líderes mostram resistência em criticá-lo e devem pedir algum tipo de acordo com a oposição.
Um esboço de resolução escrito por ministros da União Africana durante os dois dias de conversação antes da Cúpula não criticou a vitória de Mugabe. O texto condena a violência no país e pede diálogo.
Mas palavras duras vieram da vice-secretária-geral da ONU, Asha-Rose Migiro, que chamou a situação de "uma crise extremamente grave".
Em relatório divulgado nesta segunda, observadores internacionais da UA citaram a violência antes das eleições no pais como evidência de que o pleito não cumpriu os padrões democráticos. O texto também afirma que a oposição não teve o mesmo acesso à mídia durante a campanha.
Mugabe ameaçou bater de frente com líderes africanos caso alguém fale contra ele. O periódico estatal "The Herald", noticiou nesta segunda que o presidente estava preparado para enfrentar qualquer acusação sobre as eleições já que "existem países que têm níveis muito piores de eleição".
Seqüestro
Um fazendeiro do Zimbábue que denunciou em artigo publicado no jornal britânico "The Times" o terror reinante no Zimbábue durante a recente campanha eleitoral foi seqüestrado por algumas horas neste domingo (29), junto com outros membros de sua família.
Apenas uma hora antes de Robert Mugabe assumir pela sexta vez o cargo de presidente do país africano, o fazendeiro Ben Freeth e seus sogros, Michael e Angela Campbell, de 75 e 70 anos, respectivamente, foram levados à força de casa, cerca de 150 quilômetros ao oeste de Harare, informa hoje o jornal britânico.
Os Campbell pediram ajuda por telefone a outro filho, mas, quando este chegou à fazenda, viu um grupo de milicianos do partido governante União Nacional Africana do Zimbábue (Zanu, em inglês), levando os três reféns
Segundo um dos trabalhadores da fazenda, vários milicianos, 14 deles armados, assaltaram e seqüestraram as três pessoas antes de fugir em um dos veículos dos fazendeiros.
Segundo o "Times", os Campbell e seu genro foram colocados depois em liberdade por seus seqüestradores. A mulher acabou quebrado o braço.
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