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04/07/2008 - 11h43

Fonte: G1

Dois dias depois de resgatada das Farc, Ingrid Betancourt chega à França

Ex-refém disse que chorou no cativeiro, mas 'chorava de alegria' na chegada ao país. Ela foi recebida pelo presidente Nicolas Sarkozy e pela primeira-dama Carla Bruni.

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A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt e seus familiares chegaram nesta sexta-feira (4) a Paris, dois dias depois de ela ter sido libertada das Farc na Colômbia.

Ela, que é franco-colombiana, foi recebida pelo presidente, Nicolas Sarkozy e pela primeira-dama, Carla Bruni, no aeroporto de Villacoublay, no subúrbio de Paris.

Logo depois de desembarcar, Ingrid deu uma breve entrevista. Ela disse que "chorou muito" durante seu cativeiro de mais de seis anos, mas que, agora, "chorava de alegria" na chegada ao país. Ela disse também que iria se lembrar do momento por "muito e muito tempo".

Sarkozy disse que "toda a França está feliz" pela chegada de Ingrid ao país.

Viajaram com a ex-refém desde Bogotá seus filhos, Mélanie e Lorenzo, sua irmã, Astrid, sua mãe, Yolanda Pulecio, e seu ex-marido, Fabrice Delloye. O chanceler francês, Bernard Kouchner, também estava no avião.

Acorrentada

Antes de embarcar para a França, ela contou em uma entrevista que permaneceu acorrentada 24 horas por dia durante três anos, e que em alguns momentos era submetida a maus-tratos, mas que apesar de tudo tentou "viver com dignidade".

"Tentava carregar as correntes e viver com dignidade, mas às vezes me dava conta de que era insuportável", disse Betancourt em entrevista para a emissora de rádio francesa Europe 1, pouco antes de deixar a Colômbia com destino à França.

"Senti que existe a tentação de se abandonar a comportamentos demoníacos (...); acredito que é preciso conservar uma grande espiritualidade para não cair no abismo", disse a ex-refém. "Usei algemas o tempo todo, as 24 horas do dia, durante três anos", acrescentou

Questionada sobre as humilhações às quais foi submetida, respondeu que "havia momentos de maus-tratos", e disse que o tratamento que recebia dos guerrilheiros "era variável" e que "sabia que em qualquer momento esse lado cruel podia surgir".

A ex-candidata presidencial franco-colombiana não quis entrar em detalhes sobre os maus-tratos, e assinalou que quando entrou no helicóptero do Exército que a libertou junto com outros 14 seqüestrados disse a si mesma que "as pessoas não deveriam conhecer esses detalhes sórdidos."

Além disso, contou que acreditava que seu seqüestro duraria mais quatro anos: os dois que faltam para o fim do mandato do atual governo colombiano, e outros dois que seriam necessários para relançar um processo para a libertação de reféns.

G1 na Colômbia: De 'ressaca' após a libertação de reféns, Bogotá já pensa em novos resgates

Betancourt afirmou que estava "ansiosa" para chegar, especialmente para ficar com sua família na França.

Na entrevista, ela disse que está "muito surpreendida" com a popularidade que tem e agradeceu a todos por "acompanhá-la" durante o período em que esteve em cativeiro. "Sinto que sou abençoada por Deus", afirmou.

Ao comentar sobre seus filhos, Betancourt disse que encontrou "adultos com uma personalidade extraordinária, grande inteligência e grande espiritualidade".

Após chegar à base de Villacoublay, Betancourt irá ao Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa.

Em sua estadia na França, a ex-refém das Farc também deve passar por um exame médico detalhado. Na próxima semana, ela deve viajar ao Vaticano para se encontrar com o papa Bento XVI.

Ajuda de Israel

Dois conselheiros israelenses participaram nos preparativos do Exército da Colômbia para libertar 15 reféns da guerrilha das Farc, entre eles Ingrid Betancourt, informou a rádio militar de Israel.

A emissora não revelou detalhes sobre o papel dos assessores e se limitou a recordar que, depois da libertação, Ingrid Betancourt comparou a operação das tropas colombianas às do Exército israelense.

O porta-voz do ministério israelense da Defensa, Shlomo Dror, não confirmou nem desmentiu a notícia. "O ministério não pode dar nenhuma informação sobre a ação de conselheiros militares israelenses", declarou à agência de notícias France Presse.

No entanto, confirmou que empresas privadas israelenses de segurança atuam na Colômbia com autorização do ministério. (Assista o vídeo ao lado)

Já o general da reserva Israel Ziv, diretor na Colômbia de uma empresa de assessores das forças especiais colombianas, afirmou à imprensa ter contribuído para o sucesso da operação.

"Fornecemos às forças especiais meios sofisticados para combater a guerrilha", declarou ao jornal Yediot Aharonot.

Segundo o ex-comandante de operações do Exército, sua empresa está "profundamente envolvida" na assessoria às forças especiais colombianas, que possuem material ultramoderno como o fuzil de assalto israelense Tavor de mira holográfica, fuzis M-4 e helicópteros Blackhawk americanas.

Estas unidades colombianas são assessoradas por mais de mil boinas verdes americanos, assim como por instrutores israelenses e membros das forças de elite britânicas SAS.

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