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13/06/2008 - 09h36

Fonte: estadão.com.br

Cubano, enfim, foge e vai para a Alemanha

Após tentativa fracassada de deserção no Pan do Rio, Erislandy Lara realizou o sonho de se tornar profissional. Luta dia 4 de julho, na Turquia

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Onze meses após a fracassada tentativa de desertar durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, o boxeador cubano Erislandy Lara, campeão mundial amador da categoria até 69 quilos, se apresentou ontem em Hamburgo, Alemanha, onde assinou contrato de cinco anos com a empresa Arena Box Promotion. O pugilista, de 25 anos, até já tem data para estrear: dia 4 de julho, em Istambul, na Turquia. Lara fugiu de Havana a bordo de uma lancha, que o desembarcou no México, provavelmente na quarta-feira.

Em 21 de julho do ano passado, Lara e Guillermo Rigondeaux (bicampeão olímpico e mundial) abandonaram a Vila Pan-Americana. Acabaram presos em Araruama (RJ) e entregues à Polícia Federal por estarem com o visto vencido e sem passaporte, segundo os policiais. Dois dias depois, foram deportados para Havana.

Apesar de não terem sofrido nenhuma represália imediata do governo de Fidel Castro, nunca mais treinaram com a equipe de boxe. Mantiveram a forma treinando em casa, com seus familiares. E também não foram convocados para integrar a equipe que vai disputar os Jogos Olimpícos em Pequim, a partir de agosto. ''Traidores'', chegou a dizer Fidel em entrevista ao jornal cubano Granma.

''É maravilhoso estar na Alemanha'', afirmou Lara, que posou para fotos ao lado do empresário de origem turca Ahmet ?ner, dono da empresa Arena Box Promotion. ''Não quero falar sobre os detalhes de minha saída de Cuba. Estou feliz por estar aqui na Alemanha, ansioso para me tornar profissional e ganhar o título mundial.'' ?ner também não quis dar detalhes da negociação, mas aproveitou para criticar o governo cubano. ''Não queremos correr nenhum tipo de perigo. Lamentavelmente, o governo comunista faz muita pressão'', disse o empresário, no site da empresa.

Lara vai se juntar a outros três boxeadores cubanos. São eles: Yan Barthelemi, Yuriorkis Gamboa e Odlanier Solis, que, em 2006, abandonaram a delegação cubana durante um treinamento em Caracas, na Venezuela. Os três estão invictos no profissionalismo. O peso pesado Solis e o superpena Gamboa já somam dez vitórias, enquanto o galo Barthelemi obteve seis triunfos.

Com a ausência destes pugilistas, medalhas garantidas em Pequim, e a aposentadoria de Mario Kindelán, Cuba precisou antecipar seu planejamento de renovação e inesperadamente deixará de contar com a equipe completa em ringues chineses. Serão dez representantes, ao invés de 11.

Mas o boxe não é o único esporte de Cuba prejudicado pela saída de grandes estrelas. Em março, sete jogadores da seleção de futebol sub-23 desertaram em Tampa, na Flórida.

Dois meses depois foi a vez da judoca Yurisel Laborde, bicampeã mundial dos 78 quilos, abandonar a delegação de seu país, após um torneio em Miami. No domingo, Dayan Viciedo, apontado como uma das grandes promessas do beisebol cubano, fugiu também para Miami, usando uma lancha, como fez Lara três dias depois.

Hamburgo

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