Domingo, 06 de Julho de 2008
Deputada Rose de Freitas

Jornalista, Radialista, Professora, Produtora Rural, Desenhista-Projetista e Agrimensora Deputada Estadual, 1983-1987, ES, PMDB; Deputada Federal (Constituinte), 1987-1991, ES, PMDB. Dt. Posse: 01/02/1987; Deputada Federal (Congresso Revisor), 1991-1995, ES, PSDB. Dt. Posse: 01/02/1991; Deputada Federal, 2001-2002, ES, PSDB. Dt. Posse: 08/03/2001; Deputada Federal, 2003-2007, ES, PSDB. Dt. Posse: 01/02/2003; Deputada Federal, 2007-2011, ES.
01/10/2005 - 17h20
Jornalista: André Barretto
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VoteBrasil: Há poucas mulheres na vida política no Brasil. Como a senhora escolheu esta carreira?
Deputada Rose Freitas: Eu não escolhi. A minha atuação política é resultado de um compromisso de vida. Desde que me entendo por gente, a política está comigo, porque eu via, e vejo, coisas que precisam ser mudadas. Trabalhei com Associações Femininas, de Direitos Humanos, da Anistia, e de Direitos da Mulher. Havia e ainda existe diferente tratamento na sociedade para as mulheres. Existe a questão da violência contra a mulher, a questão do trabalho feminino onde as oportunidades ainda não são iguais. Existe a questão da posse da terra pela mulher, questão pela qual lutamos na Assembléia Constituinte. Estou desde criança dentro dessas questões e discussões. Fui empurrada para a vida política por esta consciência. E não vejo a política como carreira e sim com função. Fui deputada estadual, federal, candidata ao governo do meu estado. E, cada vez que a gente vê, tem mais coisa ainda para ser feita. Meus filhos reclamavam que eu não tinha férias, que não podia ficar com eles. É que tem muito para ser feito e ainda existem os bolsões de pobreza, apesar dos programas do governo, um interior abandonado. Não escolhi.
VoteBrasil: O que as mulheres, que estão na vida política, podem fazer para incrementar a participação feminina na disputa por cargos eletivos?
Deputada Rose Freitas: Já fizemos muito : cotas para candidatas nos partidos, programas especiais de saúde, direito, trabalho e violência. Mas as coisas só mudarão se as mulheres representarem no parlamento a parte que elas são da sociedade. Na Constituinte, éramos 25. Mudou porque as cotas obrigam os partidos a um determinado número de candidatas. Os partidos convidam as mulheres para entrar, mas não para os debates. Mudou. Porque a mulher está nas frentes de trabalho, em profissões que antes eram apenas masculinas. Mas só mudará realmente quando a mulher estiver representada no parlamento em número corresponde ao que ela representa na sociedade.
VoteBrasil: Em sua opinião, o que mais afasta as mulheres da militância política?
Deputada Rose Freitas: Quando a mulher chega à política, percebe que a vida política exige uma dedicação muito grande. Boa parte das minhas colegas, que eram casadas, se separa. Eu fui uma dessas. A relação familiar se esgota porque o marido e a família não querem acompanhar a mulher e muita mulher não está disposta a esse sacrifício, a enfrentar o quanto a sua vida política vai abalar a estrutura familiar; envolve a administração da casa, a educação dos filhos, o suporte profissional ao marido e tudo isso são funções femininas. Por isso as mulheres não olham a vida política com prazer. Eu procuro incentivar as outras mulheres, mas sei o quanto as minhas colegas políticas de sacrificaram. Compenso pensando pelo lado que mostra o quanto as mulheres cresceram profissionalmente e tomaram muito mais consciência política. Mas nós ainda temos a dupla, ou a tripla, jornada de trabalho. É a mulher que cuida ainda, além da casa, dos pais, dos netos. E ela se dedica integralmente. A mulher é um ser solidário, que se desdobra ao máximo na passagem da vida das pessoas. Admiro a mulher. O homem hoje está reconhecendo isso. A luta pelos direitos da mulher e contra a violência aumentou a visão sobre a mulher e a necessidade de sua representatividade no congresso.Mas veja, por exemplo, o caso da Roseana (Sarney). Eles foram em cima dela porque é mais fácil fragilizar uma mulher e não temos deputada que recebeu mensalão. A mulher é mais honesta. É mais organizada e correta nas comissões. Quando relatoras, agem com acuidade, com justiça, não exacerbam as oportunidades.
VoteBrasil: Aldo Rebelo na presidência da Câmara, o que significa com relação à crise política?
Deputada Rose Freitas: Eu não quero ter a visão, pela história dele, de que ele será para proteger e postergar o andamento do correção dos escândalos. Ele terá uma postura digna, séria. Pode ser que ele esteja pisando em ovos neste momento, mas ele não presidirá a sessão do Dirceu (Deputado José Dirceu) para que não seja parcial. Eu acho que ele será como deve ser, um magistrado calçado na historia e no comportamento digno.
VoteBrasil: Qual é o seu principal projeto, atualmente?
Deputada Rose Freitas: Vários. Um deles é um luta grande pela redistribuição de royalties do petróleo. O petróleo é nosso. O país é desigual, pobres e ricas regiões. A redistribuição de acordo com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) proporcionará, para onde é mais pobre, a entrega de um percentual dos royalties. Campos é rica, mas a maioria dos municípios não tem nem escolas decentes. Seria a riqueza nacional favorecendo uma melhor distribuição geográfica.Na economia – fazer melhor distribuição de riqueza, lutando pela diminuição de impostos sobre a cesta básica, menos ICMS, e desonerar alimentos que são importantes para a população carente.Sou relatora do Código das Águas que visa reordenar o consumo para que a situação da água seja perene e não catastótrifica. Estou lutando por uma CPI sobre a devastação da Amazônia porque ela deságua na morte dos recursos naturais, é preciso preservar, escrever um Código das Águas sabendo como está a Amazônia. Esta é uma luta de muitos anos. Eu discuti com o presidente Fernando Henrique Cardoso e ele estava de acordo, mas não deu tempo de fazer no seu mandato, o seguinte: uma vez por ano transferir por algum tempo a sede governo para a Amazônia, para olhar e fiscalizar de perto. O presidente vai lá só pra inaugurar uma estrada, não tem como se inteirar da realidade da região. É preciso cuidar da soberania da Amazônia. Se não ligarmos para ela, pereceremos. Existem lá patrimônios naturais que estão sendo levados para o outro lado do mundo.O próprio presidente Bush disse que o brasileiro não sabe cuidar da Amazônia. E quem vai fazer isso, então? A idéia, pela qual fui ridicularizada por um jornalista do meu estado, era a de ver o presidente governar de lá, da Amazônia, cinco dias por ano, integrar o país e preservar o nosso patrimônio.
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