Sábado, 11 de Outubro de 2008
Pitter Lucena

Jornalista, acreano, trabalhou nos jornais A Gazeta, A Tribuna e O Rio Branco, e nas TVs Acre (Globo), Rio Branco (SBT), União (Bandeirantes) e Record (Rede Record), todos de Rio Branco (AC). Atualmente, é assessor de Imprensa no Senado Federal.
25/06/2008 - 11h26
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Outro dia, divagando em meus pensamentos busquei num outro universo a fórmula da felicidade. Procurei como um doido. Postei anúncios em jornais, rádios e televisão e nada, nadica de nada. Resolvi voltar para esse vale de lágrimas, para de novo, continuar a peregrinação junto dessa humanidade já cansada, muito cansada em procurar. A luta dessa busca parece ser negativa, porque ninguém em plena lucidez, encontrou a fórmula dessa tal felicidade.
Quando pensei que não haveria mais jeito para saciar meu desejo, encontrei nessa caminhada um monte de gente diferente da vida acostumada somente a viver.
Por outro lado, sem perguntas e respostas conheci os loucos, de mãe e natureza, criação e filosofia. Nada há para frente nem para trás, no mais perfeito carpe diem, uma mistura de tudo e de todos para viver em plena felicidade.
Nesses ensinamentos comecei a crer que o tudo e o nada são as mesmas coisas. Ou seja, nada e tudo. Querer é poder, vice-versa, e depois? O depois é um nada, distante de tudo, arredio ao universo material, filosofal, espiritual e, ao resto dos al. Conheci pessoas que são felizes pelo simples fato de estarem vivas, sem mais nem menos. Talvez seja a iniciativa da felicidade.
Fernando Pessoa, um dos maiores poetas portugueses disse que tudo quando a vale a pena a alma não é pequena. E, é dentro dessa estação imaginária que ninguém se entende, não sabe os segredos da alma e da pequenez da vida. A felicidade, essa coisa pequena e grande ao mesmo tempo, está em todo canto e em todo lugar, basta olhar com um pouco mais de atenção ao redor.
Carlos Drumond de Andrade, o nosso poeta maior, não teve dúvidas quando escreveu: O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar. Podemos começar a pensar que o poema de Drumond seja a chave para a maior procura sobre o êxtase da vida: a felicidade.
Conheço pessoas diversas, pobres, ricos, negros, brancos, intelectuais e por ai vai. Todos procuram a felicidade nos seus mais recônditos lugares possíveis e impossíveis. Quem tem uma mansão quer ter outra melhor, um outro que tem um carro do ano quer mudar para um melhor ou até importado. Isso se chama desejo, peculiar no ser humano. Se não existisse essa ambição o mundo não seria evoluído como está. Mas, no fundo, lá no fundo, ninguém está feliz com o que tem.
Quando chega a esse ponto o ser humano está predestinado ao erro. Para Sócrates, conhece-se a si mesmo é a chave para a conquista da felicidade, já para Platão a noção de felicidade é relativa à situação do homem no mundo e aos deveres que lhe cabem.
Na realidade todos buscam a felicidade por caminhos diferentes. Uns imaginam encontrá-la na posse das riquezas, porque supõem que com o dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como tantas outras. Outros procuram encontrá-la nos prazeres sexuais, nas diversões, nos passeios. Há também os que anseiam pelo prestígio, enovelando-se nas lutas pelo poder.
Para Karl Marx, filósofo materialista, a felicidade do ser humano está presa aos proventos materiais advindos do trabalho. Daí ele confunde o termo felicidade com o bem-estar. Um grande erro porque o bem-estar é a posse de bens materiais, que dão mais conforto; a felicidade é mais ampla, porque envolve a realização do ser espiritual.
Para fechar nada melhor do que a poesia do poetinha, Vinicius de Moraes: Tristeza não tem fim felicidade sim.
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor
A minha felicidade é ter uma família, meu amor, minha vida, meu eu. Diante disso tudo vou dormir acordado porque sou feliz, a felicidade está dentro de mim.
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