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Caio Martins

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Fógrafo, editor e produtor gráfico, foi exilado político de 1969 a 1979, e assessor de gabinete da Prefeitura de São Caetano do Sul de 1997 a 2004, no governo de Luiz Olinto Tortorello. Trabalha com edições técnicas e colabora com jornais regionais.

29/06/2008 - 21h08

Os donos da bola

Até meu cachorro, nessa via, poderia ser presidente de qualquer república. Mijasse fora do poste, e viraria sabão sem piedades, como no caso do Collor.

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Os donos da bola

O Brasil só virou País a partir de 1808, pois Napoleão queria tocar fogo nas saias da monarquia portuguesa e esta, amarelando, fugiu para cá. A farta colônia passou a ter funções de Estado, já que a corriola de João VI trouxe seu sistema completo de governo, mas, vencido o irascível francês baixinho, mais a pressão dos lusitanos na terrinha, houve que voltar. Dúvidas e turras geopolíticas e, dizem as más línguas, novo apoio de ouro inglês, em 1822 aconteceu a Independência sob regime monárquico.

No mesmo quadro daquela briga feia de repartição do mundo deu-se a República em 1889. Entramos no século de destruição do planeta mediante muita conversa fiada e raras escaramuças. Nos bastidores, o sistema financeiro da época traçando os rumos republicanos. Desde então, nada mudou. Precisava-se de monarquias para manter elevados níveis de ganhos, e tivemos o Império. Depois, a cada trombada entre democracia e ditadura, as tivemos religiosa e matematicamente.

Nesse fluxo e refluxo, a determinante social foram, no século passado e fins do anterior, as imigrações européias e, mais recente, a japonesa. A partir disso o Brasil começou a marcar presença como Nação. Sai contra o fascismo na Segunda Guerra em troca de alguns favores e uma siderúrgica, inicia conquistas sociais com Vargas tornando suas as bandeiras políticas comunistas depois de massacrar o partido, sempre no caudal das disputas acirradas pelo comando da economia mundial.

Quarto final do século passado, quando ditaduras já não davam a lucratividade exigida, caíram uma a uma, a nossa inclusive. De novo em regime democrático, clima libertário e ganhos de capital exacerbados na pasteurização dos mercados, engessamos a moeda e entramos de laptop e web (mala e cuia é coisa de tiozão) na nova estratégia globalizada. Até meu cachorro, nessa via, poderia ser presidente de qualquer república. Mijasse fora do poste, e viraria sabão sem piedades, como no caso do Collor.

E daí? De aí que há armadura histórica de antanho, originária de fora nas rédeas de quem realmente manda, até nossos dias improváveis e temerários. Se o primeiro gerente da conta Brasil desta era, Fernando Henrique, implantou as regras do jogo, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não só as segue, como é mais durão que seu antecessor ao aplicá-las. Por isso, neo-liberalismos à parte, causa espécie a frase: “- Nunca antes, na história deste país...”, tão usada por ele nestes tempos de curto prazo.

Também a ousaram ditadores como Vargas e Garrastazu ou os liberais Juscelino e Sarnei em seus melhores momentos, para gáudio dos regentes da divisão de mercados. Tais mares já foram dantes navegados com resultados lamentáveis para povo e democracia a médio e longo prazos. Ou o Presidente está mal informado frente aos insistentes sinais de refluxo, ou seus “demônios interiores”, atentos aos donos da bola, prevalecem, embora afirme ser um democrata.


A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.

Comentários desta Coluna

Caio Martins

01/07/2008 - 01h24 | São Paulo / SP

Obrigado, Mestre!

É gratificante viver que amizade, consideração e respeito nascem mesmo na distância e fora do convívio pessoal. Dedico-lhe aqueles sentimentos, e sei que, por mais dura a luta travada, você, guerreiro como sempre, a enfrentará com a coragem que sempre caracterizou sua vida.

Receba meu abraço fraterno, e a certeza de que temos muito que fazer pela frente, escrevendo e debatendo os temas mais conflitantes. É um privilégio da melhor idade.

Obrigado, Mestre.

Evandro de A. Bastos

30/06/2008 - 07h17 | Brasília / DF

"poeta Guerreiro

Caio, amigo de sempre e para sempre. Como já´comentei em minha Coluna na materia "Cigarro.......', De vez em quando sou internado em hospital para socorros médicos.Assim, Durante a semana que passou estive fora para tratamento. Ao voltar muito pouco tempo me sobrou para enviar a voce o meu abraço pela passagem de seu aniversário. Parabéns, poeta guerreiro. Evandro

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