Sábado, 11 de Outubro de 2008
Caio Martins

Fógrafo, editor e produtor gráfico, foi exilado político de 1969 a 1979, e assessor de gabinete da Prefeitura de São Caetano do Sul de 1997 a 2004, no governo de Luiz Olinto Tortorello. Trabalha com edições técnicas e colabora com jornais regionais.
03/07/2008 - 01h57
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Além do conhecido, insólito e extravagante quadro político de eleições municipais, no qual interesses pessoais e de grupos predominam sobre projetos destinados verdadeiramente ao benefício da população, temos o país na chapa quente de situação internacional altamente instável e preocupante, caçapa cantada com muita antecedência. O momento político caboclo, caracterizado pela mediocridade de método e precariedade de conteúdo para a conquista de vagas no poder local, alheia-se festivamente da crise econômica mundial geradora de instabilidade generalizada.
Movida a petróleo, apresenta convulsões típicas de quem começa a afogar-se, agravadas pelos tropeços financeiros norte-americanos, por assentar-se estupidamente em material com hora marcada de extinção. Concomitantemente, a expansão extraordinária de produtos supérfluos em mercados carentes de suprimento de necessidades básicas, e a demanda maior destes que a capacidade produtiva possa atender, ressuscita o monstrengo da inflação irrestrita no ambiente social internacional fragilizado por muito fogo e pouca lenha, gastos públicos desmedidos de permeio.
Privilegiado por executar, na última década, políticas econômicas coerentes capazes de manter níveis inflacionários aceitáveis e programas sociais relativamente eficientes, o Brasil manteve exemplarmente seu papel histórico na divisão de trabalho mundial: exportador prioritariamente de matérias primas e semi-manufaturados e importador de badulaques. No momento em que o aumento dos preços de insumos importados elevam os custos de produção daquelas matérias, a economia estremece como um todo, e quem paga a conta é o consumidor comum, dependente de salário.
Está aí, de volta, o sinistro Bicho-papão da inflação, fortalecido pela especulação financeira que, no afã de lucros, quebra a economia de qualquer país, especialmente os chamados eufemicamente de “emergentes”, antigamente denominados, com mais propriedade, de subdesenvolvidos. Essa ameaça ocorre exatamente no momento crítico em que os políticos botam a saia na cabeça e nada mais vêem senão manter ou conquistarem postos de poder. E que, no quadro demeritório eleitoral, acabam sempre expondo as vergonhas impudica e alegremente.
A perspectiva ameaçadora parece não afetar a classe política local por não ser reconhecida por seus comandos centrais, na histeria compulsiva acima mencionada. Ora, se nas eleições gerais o nível do debate e proposituras é mais que precário, não se poderia esperar que nos surpreendesse nos municípios. Todo método é válido e todas as alianças espúrias acontecem, num pleito que reflete claramente, município a município, a principal causa das disparidades, injustiças e mazelas do país: a profunda crise moral da estrutura política.
Da Presidência da República às prefeituras, do Congresso às câmaras de vereadores ela domina, agravando ainda mais a crise estrutural crônica de um país que tudo tem para dar certo, menos suas classes dirigentes ineptas, desregradas, temerárias e capazes de tudo, só que em proveito próprio. Raríssimas, louváveis e solitárias exceções à parte.
A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.
Caio Martins
04/07/2008 - 02h38 | São Paulo / SP
Troca de Imagens
Eleonora,
retirada a imagem estilizada do demônio de Star Wars, e posta a nossa moedinha em fase de deterioração.
Caio Martins
04/07/2008 - 00h39 | São Paulo / SP
Amigos E Ilustração Zureta
Grande Milton,
agradeço a gentileza, os amigos são sempre muito condescentes mas ainda há muito que aprender.
Querida Eleonora,
dou-lhe toda a razão. O bicho é mais feio que parece, e a imagem foi a melhor que encontrei para não causar pânico... Mas vou trocar, a seu pedido, mesmo contrariando quem gostou da gracinha. Agradeço a crítica, pois é só com ela que nos aperfeiçoamos. Pelo menos, tentamos.
Forte Abraço.
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Jorge Sader
08/07/2008 - 11h37 | Niterói / RJ
E Ainda Teimam Em Discutir!
Prezado Caio, como você afirmou "a principal causa das disparidades, injustiças e mazelas do país: a profunda crise moral da estrutura política.
Da Presidência da República às prefeituras, do Congresso às câmaras de vereadores ela domina." Tem gente - e como tem ! - que não enxerga o "óbvio ululante".
Forte abraço